domingo, 15 de julho de 2012

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SÍNDROME DO PÂNICO - O estranho dentro de mim!
Por: Maria Heloisa Bernardo (*)
“De repente, eu senti uma terrível onda de medo, sem nenhum motivo. Meu coração disparou, tive dor no peito e dificuldade para respirar. Pensei que fosse morrer.” “Tenho tanto medo. Toda vez que me preparo para sair, tenho aquela desagradável sensação no estômago e me aterrorizo pensando que vou ter outra crise de pânico.” Os sintomas de uma crise de pânico aparecem subitamente, sem nenhuma causa aparente. Pode haver: palpitação (o coração “dispara”), dor no peito, tontura, atordoamento, náusea, dificuldade para respirar, sensação de “formigamento” ou fraqueza nas mãos, calafrios ou ondas de calor, sensação de “estar sonhando” ou distorções da percepção da realidade, terror – sensação de que algo horrível está prestes a acontecer e de impotência para evitar tal acontecimento, medo de perder o controle e fazer algo embaraçoso, medo de morrer. Uma crise de pânico demora vários minutos e é uma das situações mais angustiantes que uma pessoa pode experimentar. A maioria das pessoas que teve uma crise terá outras, quando alguém tem crises repetidas ou se sente muito ansioso, com medo de ter outra crise, diz-se que tem distúrbio do pânico. Pelo menos 1,6% dos adultos (EUA), terá distúrbio do pânico alguma vez na vida, o que representa um problema sério de saúde. Depois de ter uma crise de pânico – por exemplo, enquanto dirige, fazendo compras em uma loja lotada ou dentro de um elevador – a pessoa pode desenvolver medos irracionais (chamados fobias) destas situações e começar a evitá-las. Gradativamente, o nível de ansiedade e o medo de uma nova crise podem atingir proporções tais que a pessoa pode desenvolver o distúrbio do pânico com agorafobia – palavra que define comportamentos de esquiva, que aparecem quando a pessoa se encontra em situa­ções ou locais dos quais seria difícil ou embaraçoso escapar ou mesmo receber socorro se algo de errado acontece. O distúrbio do pânico pode ter um impacto tão grande na vida cotidiana de uma pessoa como outras doenças mais graves – a menos que ela receba um tratamento eficaz. Devido aos sintomas desagradáveis, pode ser confundido com uma doença cardíaca ou outra doença grave.
O TRANSTORNO É PSICOEMOCIONAL E TEM RECUPERAÇÃO Existe tratamento para síndrome do pânico que, dependendo de cada paciente, é composto por consulta médica, preferencialmente com psiquiatra e acompanhamento psicoterapêutico. A associação de psicoterapia e medicamentos apresenta bons resultados. A melhora, em geral, ocorre em pouco tempo – cerca de seis a oito semanas. O tratamento adequado do distúrbio pode evitar as crises de pânico ou, pelo menos, reduzir substancialmente a sua intensidade e frequência, trazendo alívio significativo para 70% a 90% das pessoas que sofrem com o problema. Pessoas com distúrbio do pânico podem necessitar de tratamento para outros problemas emocionais. A depressão tem sido frequentemente relacionada ao distúrbio do pânico, assim como a dependência química. Estudos recentes sugerem também que tentativas de suicídio são mais frequentes em pessoas com distúrbio do pânico. Tratamento – Se não for tratado, o distúrbio do pânico tende a continuar por meses ou anos. Embora, geralmente, ele se inicie no começo da vida adulta, em algumas pessoas os sintomas podem aparecer antes ou depois deste período. Se não forem tratados, podem se agravar ao ponto da vida da pessoa ser profundamente prejudicada pelas crises ou pelas tentativas de evitá-las ou ocultá-las. De fato, muitas pessoas têm problemas com os amigos ou a família ou perdem o emprego, enquanto lutam contra o distúrbio. Pode haver períodos de melhora espontânea, mas, em geral, ele não desaparece, a menos que a pessoa receba um tratamento específico. As causas do distúrbio do pânico não são totalmente conhecidas. De acordo com uma das teorias, o sistema de “ALERTA” normal do organismo – conjunto de mecanismos físicos e mentais que permite que uma pessoa reaja a uma ameaça – tende a ser acionado desnecessariamente na crise de pânico, sem haver perigo iminente. Os especialistas não sabem exatamente porque isto acontece ou porque algumas pessoas são mais suscetíveis ao problema do que outras. Constata-se que o distúrbio ocorre com maior frequência em algumas famílias. Isso pode significar que há participação importante do fator hereditário (genético) na determinação de quem desenvolverá o distúrbio. Entretanto, muitas pessoas que desenvolvem este distúrbio não têm nenhum antecedente familiar. Frequentemente, as primeiras crises são desencadeadas por doen­ças físicas, uma situação de estresse acentuado ou até mesmo por medicamentos que aumentam a atividade da região do cérebro envolvida em reações de medo. Prevenção – A prevenção é importante como fator de proteção à saúde mental. Embora a expressão “saúde mental” possa ter significados diferentes para diferentes pessoas, a autoestima e a capacidade de estabelecer relações afetivas com outras pessoas são componentes importantes da saúde mental universalmente aceitos. Pessoas mentalmente saudáveis compreendem que não são perfeitas e nem podem ser tudo para todos. E procuram ajuda quando têm dificuldade em lidar com traumas e transições importantes, tais como perda de pessoas queridas, crises conjugais, problemas pessoais e profissionais. Alguns sinais de alerta Ansiedade prolongada e excessiva – Trata-se de uma ansiedade desproporcional por qualquer razão ou causa identificável. Obviamente todos nós temos problemas que podem nos deixar tensos e ansiosos. Porém, uma ansiedade profunda e persistente – um estado quase constante de tensão e medo que se sucede a uma causa após outra – é sinal de que a pessoa precisa de ajuda. A ansiedade não aliviada não causa apenas angústia, mas também pode produzir problemas físicos. Depressão prolongada ou grave – A depressão clínica (que é muito diferente dos sentimentos normais de tristeza ou “baixo astral”) afeta acentuadamente o pensamento, os sentimentos e o comportamento. Sentimentos persistentes de inadequação, tristeza, desamparo, desesperança, pessimismo excessivo e perda da autoconfiança são alguns dos sintomas de depressão. Alteração dos padrões de comportamento é um sinal característico de que a depressão pode estar escapando ao controle e de que se deve procurar ajuda. Pessoas deprimidas frequentemente se afastam dos amigos, de seus entes queridos e de ocupações e passatempos habituais, que anteriormente lhes eram agradáveis. Seus hábitos alimentares e de sono se modificam. Alguns apresentam perda de apetite e insônia, ou caracteristicamente, um sono mais curto; outros procuram alívio em alimentação e sono excessivos. Outros sintomas da depressão incluem: falta de energia, cansaço prolongado, redução do desempenho na escola, no trabalho ou em casa e perda do interesse sexual. Indivíduos deprimidos são os que têm maior probabilidade de considerar o suicídio como uma solução, apesar de que pessoas com outros distúrbios mentais e emocionais também podem ter ideias suicidas. Durante períodos de crise, as pessoas devem procurar companhia, evitando se isolar. Alterações bruscas de humor e comportamento – Alterações de humor e comportamento que refletem profundas mudanças nos hábitos normais ou no modo de pensar da pessoa. Alterações frequentes ou regulares de humor, “altos e baixos”, quer sejam de aparecimento gradual ou rápido, podem ser sinais de um distúrbio de humor. Sintomas físicos que podem estar relacionados com a tensão – Alguns tipos de mal-estar e queixas físicas – dores de cabeça (incluindo enxaquecas), náuseas e dores inexplicadas – podem não ter nenhuma causa identificável. Esses sintomas são reais. Porém, apenas um médico está qualificado para determinar se são causados ou não por uma doença orgânica. Portanto, qualquer mal-estar persistente deve ser avaliado por um médico. Decálogo da saúde mental - (Aprenda a proteger-se) • Adote uma atitude realista. • Se houver um trabalho a ser feito, faça-o sem irritar outras pessoas. • Aceite desafios. • Assuma o comando da situação. • Estabeleça objetivos. • Mantenha os objetivos em perspectiva e encare-os como parte de um propósito maior. • Faça concessões aos outros, que podem não concordar com você em todos os pontos. • Lembre-se: “os outros” também têm direito. • Obtenha cooperação ao invés de confrontação. • Sugira uma reunião de família ou com a equipe de trabalho para encorajar a cooperação e a solidariedade. Não remoa problemas Frequentemente, uma simples mudança de ritmo ou o redirecionamento das energias é uma forma construtiva de escapar da tensão. Ao invés de ficar remoendo os problemas, tome uma atitude positiva e útil em relação à situação. Procure não se preocupar com coisas que não podem ser mudadas. Um passo por vez Para escapar à sensação de estar sem saída, avalie o seu problema, pense em cada passo necessário para resolvê-lo e trabalhe no sentido de alcançar uma solução. Esta abordagem de “um passo de cada vez” lhe permitirá ter orgulho de sua capacidade de lidar com a situação.
Com o que se preocupar
Mesmo com o maior esforço, você terá períodos de frustração e infelicidade. Em geral, com o tempo você será capaz de superar o seu sofrimento. Porém, você deve aprender a reconhecer quando seus problemas – ou os de pessoas queridas – são muito grandes para serem enfrentados sozinho. Você pode ajudar a si próprio, à sua família e a seus amigos sabendo quando procurar ajuda profissional.
(*) Maria Heloisa Bernardo, psicóloga com especialização em Saúde Mental e atenção global em dependência química / codependência, com mais de 30 anos de experiência. Diretora de projetos e programas terapêuticos na Instituição Assistencial Emmanuel (Centro de Tratamento Bezerra de Menezes), credenciada da Cabesp. ");

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